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Contra bactérias? Nanotecnologia!

Nanox, de São Carlos (SP), já exporta para México e Itália sua linha de produto antimicrobiano a base de prata, e agora entra no mercado chinês.

A pequena inovadora Nanox, localizada em São Carlos, interior de São Paulo, completa sete anos de existência em 2012. Startup da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a empresa de 10 funcionários re- solveu, logo em seus primeiros anos de vida, partir para o mercado internacional. E agora está levando seu Na- noxClean, a tecnologia com ação antimicrobiana que é a principal linha de produtos da empresa, para a China. A estratégia de se voltar para o exterior foi a alternati- va encontrada pela companhia para a falta de mercado interno. Para a Nanox, o Brasil ainda não está maduro quando o assunto é nanotecnologia.

O NanoxClean é uma linha de produtos antimicrobianos naturais, derivados de uma nanotecnologia con- tendo prata como princípio ativo. A prata tem grande eficiência como agente antimicrobiano. No NanoxClean, esse princípio ativo é suportado em partículas cerâmicas. “O processo desenvolvido pela Nanox cria ilhas de prata na superfície de cerâmica, ou seja, a nanotec- nologia está no processo de obtenção [do NanoxClean] e no material”, explica Gustavo Simões, presidente da empresa.

O NanoxClean mata as bactérias e impede sua pro- liferação, destruindo as funções vitais das bactérias quando elas entram em contato com a superfície que recebeu o tratamento nanotecnológico. Essa destruição se dá pela conjunção de três ações: pelo impedimento da troca de gases por meio da parede celular, fazen- do com que os microorganismos não consigam respirar; pelo rompimento da parede celular, o que também mata as bactérias; e pela inibição da divisão celular. As nanopartículas matam todo tipo de bactéria que entram em contato com a superfície que recebeu o tratamento bactericida.

O produto pode ser aplicado em todos os tipos de materiais, como plásticos, tintas, metais, madeiras, te- cidos etc. A empresa já revestiu com o NanoxClean produtos como bebedouros de água, peças plásticas de secadores de cabelo, o interior de geladeiras e tapetes.

Parceria com universidades

A Nanox percorreu o caminho clássico das startups: nasceu em uma universidade, a partir das ideias de três químicos com veia empreendedora: Gustavo Simões, Daniel Minozzi e André Luiz de Araújo. Foi incubada em São Carlos e, em 2005, recebeu o primeiro financia- mento, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Conseguiu depois financiamento do fundo de venture capital Novarum e virou sociedade anônima. Em 2009, já estava exportando seu produto para a Mabe, que fabrica linha branca no México. A Nanox tem cinco pedidos de patentes, no Brasil e nos Estados Unidos.

A empresa sempre trabalhou fazendo parcerias com o setor acadêmico, com destaque para as universidade de São Paulo (USP), Federal de São Carlos (UFSCar) e Unesp, campus de Araraquara. Parte de suas atividades e infraestrutura de P&D estão nas parceiras, já que a empresa não precisa, por exemplo, utilizar com frequência os caríssimos microscópios eletrônicos necessá- rios para os estudos em nanotecnologia.

A Nanox ocupa um galpão no bairro Jardim Santa Felícia, distante cerca de três quilômetros do centro de São Carlos. No segundo andar estão as instalações administrativas. No térreo, ao caminhar para a área de produção e pesquisa, chega-se primeiro aos laboratórios de Microbiologia e de Química. Essas instalações são usadas para procedimentos de análise de qualidade, atividades de P&D e prestação de serviços para os clientes.

Para cada cliente, a Nanox desenvolve atividade de P&D específica. Ela analisa o material de que é feito o produto de seu cliente (plástico, aço, alumínio, ce- râmica), seu processo de produção, qual a quantidade de NanoxClean deve ser adicionada para ter o efeito bactericida, toxicidade, entre outros aspectos. No mo- mento, um dos projetos da área de P&D da companhia se relaciona à aplicação do NanoxClean na indústria de cerâmica, para uso em piscinas, banheiros, hospitais e áreas com muita umidade e formação de mofo.

“Enviamos nosso produto para os clientes, que produzem algumas peças-piloto com aplicação de NanoxClean. Essas peças são encaminhadas para nossa empresa, para que façamos os testes de eficiência e eficácia antimicrobiana”, conta Daniel Minozzi, diretor comercial da Nanox. “Em média, o processo de P&D para cada cliente demora cerca de um ano”, acrescenta Simões.

Embalagens inteligentes

Um dos experimentos em realização no Laboratório de Microbiologia no dia da visita do Engenhar à empresa se refere às embalagens inteligentes. Havia duas vasilhas plásticas para conservar alimentos em ambiente domés- tico, deixadas fora da geladeira por quase um mês. Na vasilha com o NanoxClean incorporado ao plástico, um tomate estava praticamente igual de quando chegou do mercado; na outra, convencional, o fruto estava podre. O fabricante da vasilha é um tradicional e grande produtor de utensílios plásticos para cozinhas e potencial cliente da Nanox.

A Nanox não faz distinção sobre quantas pessoas tra- balham em P&D. A empresa contabiliza quantas horas de

trabalho os funcionários dedicam a essa atividade, já que os pesquisadores também trabalham com a área de qua- lidade e produção. Na média, os funcionários dedicam 30% do tempo para as atividades de P&D. Outros setores da empresa, como vendas e marketing, precisam estar en- volvidos desde o início do desenvolvimento de um novo produto ou de uma nova aplicação para NanoxClean.

Junto aos dois laboratórios está a fábrica. São duas linhas de produção, formadas por reatores projetados e desenvolvidos pelos próprios pesquisadores da Nanox. Os reatores não foram patenteados: a Nanox preferiu proteger a invenção por meio do segredo industrial. Uma das linhas produz o NanoxClean em pó e a outra, na forma de resina líquida. A produção na forma granular é terceirizada.

Além de produzir o NanoxClean, a companhia faz sua aplicação por meio de imersão no Laboratório de Apli- cação de Coatings, ou de revestimentos. Ali, um robô é responsável por dar o banho de NanoxClean nos produtos enviados pelos seus clientes, como se estivesse pintando-os. É o que ocorre com as canetas odontológicas de um dos clientes, por exemplo.

Grande parte do esforço atual da empresa está nas vendas. “Por exemplo, entre os fabricantes de assentos para vasos sanitários, ter um produto com tratamento antimicrobiano é um diferencial. Mas quando vamos para outras áreas, nosso maior desafio é mostrar para o cliente e o consumidor deste cliente quais são os diferenciais da nossa inovação”, comenta Simões.

Hoje, entre os 10 clientes fixos da Nanox, estão a Mabe, fabricante de linha branca, a Taiff, de secadores de cabelo, a Tapetes São Carlos, e a de Dabi Atlante, de equi- pamentos odontológicos. A dificuldade da Nanox para atuar na área hospitalar, que seria um excelente nicho para a empresa, está no fato de a maior parte dos equipa- mentos desse setor ser fabricada no exterior. “Desenvolvemos uma aplicação para cateteres com um parceiro, que está buscando a aprovação na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”, conta Minozzi.

O x da questão

Uma pesquisa de agosto de 2010 do Sebrae SP mostrou que 27% das empresas paulistas encerram suas atividades já no primeiro ano de vida. Se a Nanox passou pelo teste dos primeiros anos, agora enfrenta o desafio de encontrar recursos para continuar crescendo. “Não há mecanismos para financiar a fase da venda. Nosso próximo passo seria obter mais venture capital, mas esse segmento não está bem estabelecido no Brasil”, afirma Gustavo Simões.

Os executivos estimam que, em recursos públicos, receberem R$ 5 milhões de apoio nesses sete anos de existência, incluindo o investimento da Novarum, que tem participação da Finep, além da própria Financiadora, da Fapesp e do CNPq. “Se observarmos a realidade nacional, o valor que recebemos de investimento público é considerado alto, mas se olharmos as práticas no mercado internacional, não”, aponta Daniel Minozzi.

“Existem empresas do nosso tamanho no exterior que conseguem levantar US$ 100 milhões de investimento. Lá fora, é possível chegar a um banco e pedir financiamento com juros de 2% ao ano, levando como garantia apenas o número de uma patente”, destaca Simões. “O patrimônio da Nanox é intelectual e isso, no Brasil, não vale nada; aqui os financiadores querem saber do terreno, do prédio”, lamentam os executivos. A Nanox não revela seu faturamento.

Valorização lá fora

A aposta da Nanox para continuar a crescer é o mercado externo. “Nossa busca pela exportação se dá porque percebemos que mer- cados mais regulados, como Estados Unidos e Europa, têm melhor percepção do valor do nosso produto”, justifica Simões.

Na China, a Nanox acaba de firmar parceria com uma empresa local, a The Delta Hub. Os produtos NanoxClean chegam ao mercado chinês, via exportação, em julho deste ano.

A Nanox procura também um parceiro local para entrar no merca- do norte-americano. “Os Estados Unidos têm muita demanda; há lei obrigando que certos produtos sejam antimicrobianos, como ocorre, por exemplo, com os equipamentos hospitalares”, lembra Minozzi. A empresa está prospectando o mercado latino-americano, além de já exportar para o México e Itália.

Conselho editorial Ana Paula Andriello Naldo Dantas, Ricardo Magnani

Editor José Roberto Ferreira

Editora executiva Angela Trabbold

Repórter Janaína Simões

Design/Editoração Antonio Carlos Prado

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