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Vida de prateleira (REVISTA PACK)

Por: Zulmira Felício

Principalmente em razão das diferenças climáticas das regiões brasileiras, novos hábitos de consumo aliado ao aumento de poder aquisitivo da população, o shelf life torna-se estratégico para o setor de alimentos.

Muito além da questão da sobrevivência, a alimentação é sempre um prazer. Em vista ao que vem acontecendo na Faixa de Gaza – um estreito território palestino entre o mar Mediterrâneo, Israel e Egito, onde a população se satisfaz ao saborear batatas murchas acompanhadas de pedaços de frango nada crocantes da rede norte-americana KFC; esperar mais de quatro horas para receber esse fast-food delivery já faz parte do “banquete” que para ser servido envolve no trajeto dois táxis, transpor uma fronteira internacional e um túnel de contrabando.

Essa mudança de comportamento, que inclui novos hábitos alimentares, verifica-se em diferentes partes do mundo. No Brasil, por exemplo, o segmento de alimentação fora do lar (Food Service) vem conquistando cada vez mais adeptos. Isso se deve ao aumento populacional das classes A, B e C, gerando mais de 60 milhões de novos consumidores e diminuição do desemprego. Em síntese, é o que analisa a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) detectando que o faturamento da indústria de alimentos para 2012 foi de R$ 431,6 bilhões, sendo a venda para os canais de Food Service responsável por R$ 100,5 bilhões. No País, mais de 30% das vendas da indústria de alimentos no mercado interno são direcionados, atualmente, ao Food Service, que continua crescendo a taxas superiores a 13% ao ano nos últimos 10 anos.

Na prática, os alimentos em geral demandam por formatos de emba- lagens adequadas e inovadoras. É nesse contexto que entra o conceito shelf life ou “vida de prateleira” que diz respeito à qualidade total do alimento, compreendendo o período que transcorre da produção ao consumo, ligando as etapas de produção (manipulação), interação dos ingredientes à estocagem.

As garantias de shelf life e a necessidade constante da sua evolu- ção são particularmente importan- tes no mercado brasileiro, levando- -se em consideração as dimensões continentais do País, diferenças cli- máticas, mudanças constantes nos hábitos de consumo da sociedade e o aumento do poder aquisitivo da população observado nos últimos anos. Por isso, o aumento do shelf life dos produtos é estratégico para as empresas da área de alimentos, pois permite que estas preservem melhor as características de seus produtos e aumentem o tempo de exposição deles no ponto de venda, reduzindo, assim, o descarte.

“O contexto shelf life é sempre o foco dentro da Dixie Toga, pois, pressupõe-se que empresas de em- balagens têm a responsabilidade de assegurar que o produto final mantenha suas propriedades pelo maior tempo possível”, sintetiza Antonio Ponce, gerente de marke- ting da Dixie Toga, ressaltando que a empresa tem como filosofia de- senvolver filmes de alta tecnologia e qualidade que propiciem vantagens competitivas por meio do aumento do shelf life de seus produtos.

As empresas vêm se preocupan- do com processos produtivos para melhoria de shelf life há um bom tempo. “Hoje estamos vivenciando uma nova era que envolve questões relativas ao meio ambiente e o uso de embalagens com menor impacto ambiental, as novas tecnologias que dizem respeito às embalagens inteligentes, com propriedades superiores ou iguais as atuais, e a democratização nas melhorias de shelf life em alimentos, já que os materiais tornam-se muito mais acessíveis às empresas de menor porte,” diz Daniel Minozzi, diretor de negócios da Nanox.

A Nanox é responsável por fabricar e comercializar uma linha específica de aditivos antimicrobianos que auxilia no aspecto segurança do alimento, contribuindo para que o produto acondicionado nas embalagens tenham ganho de shelf life. A ação antimicrobiana é regulada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Food and Drug Administration (FDA). Atuando fortemente em todo o território nacional, devido ao registro no FDA, a Nanox vem iniciando alguns trabalhos internacionais nesse setor industrial.

Microporosidade:
Com clientes mais concentrados nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, incluindo no exterior, na Argentina e nos Estados Unidos, a Alcoa também tem a garantia das certificações FDA e de entidades que regulamentam o setor de embalagens para o uso seguro em alimentos. “Detemos as certificações ISO 9001 e 14001”, acrescenta Celso Soares, diretor da Divisão de Laminados da Alcoa América Latina & Caribe. A empresa fornece seus produtos para todos os fabricantes que utilizam folhas de alumínio em suas embalagens, como a Tetra Pak para as embalagens cartonadas/assépticas, devido a garantia da barreira total contra a luz; e clientes do segmento de embalagens flexíveis como o Grupo Bemis, Embalagens Diadema e Inapel, entre outros.
Com suas propriedades de barreira total contra luz, gases e umidade, as folhas de alumínio são ideais para as especificações mais exigentes requeridas no contexto shelf life das embalagens alimentícias. Sua taxa de permeabilidade é praticamente zero a vapor, água e oxigênio.
O executivo da Alcoa reforça que além do aumento do shelf life, principalmente nos quesitos de microporosidades, que bloqueiam a ação da luz e oxigênio nos alimentos, há outras características positivas que fazem da folha de alumínio uma boa escolha para indústria alimentícia. São elas: formabilidade (a folha pode ser facilmente moldada); inodoro; excelente qualidade gráfica; não é solúvel, portanto, não se mistura com alimentos e outras propriedades do gênero; higiênica já que não é fonte de nutrientes para crescimento de bactérias; excelente condutor térmico; pode ser combinada com qualquer outro material utilizado em embalagens flexíveis e, ainda, é reciclável. Diferente- mente de outros materiais, as propriedades de barreira da folha de alumínio não dependem da espessura se combinados com outros materiais.

A Alcoa fornece folhas de alumínio nas mais varia- das espessuras, desde 0,0063mm até 0,300mm. As ligas atendem as exigências dos fabricantes de embalagens assépticas e flexíveis. Trata-se de um material absolutamente seguro para uso em contato com alimentos; protege e preserva o aroma e as características dos produtos embalados; aumenta a vida útil por vários meses, permitindo que seja preservado por longos períodos sem necessidade de refrigeração; ajuda a impedir que os alimentos se deteriorem; e colaboram com economias de energia para conservação dos alimentos.

No Brasil, o consumo de folhas de alumínio para uso em embalagens cresce a taxas próximas a 6%, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), mesmo com as constantes reduções de espessuras e dos tamanhos das embalagens.

Estudos:

Questionado sobre as características técnicas dos materiais para shelf life, Minozzi, da Nanox, alerta que a principal delas refere-se a preservar a segurança dos alimentos. Entretanto, outros aspectos podem ser incluídos neste quesito, como melhorias na logística, de modo evitar desperdício e contaminação.
Na Nanox, os estudos de segurança dos alimentos e shelf-life são desenvolvidos em conjunto com os fabricantes de alimentos e seus fornecedores de embalagens, uma vez cada caso é definido, conforme o potencial alcançável para o cliente. “Desde sua fundação, a empresa realiza trabalhos em cooperação com universidades e centros de pesquisas. Essas parcerias incluem da validação de produtos até criação de conceitos e estudos científicos no estado da arte em materiais,” informa Minozzi.

Segundo ele, dentro do segmento de embalagens plásticas para alimentos, ocorrem lançamentos
de materiais que, de alguma forma, interferem na performance e funcionalidade do produto. A Nanox possui uma equipe multidisciplinar, de competência técnica, com o foco em desenvolvimento. “Nosso trabalho não consiste apenas em fabricar os materiais antimicrobianos para todas as linhas de materiais poliméricos empregados em embalagens, mas também em indicar a melhor forma de utilização tendo em vista os resultados, incluindo a assessoria ao cliente no uso de tecnologias sinérgicas, segundo o objetivo do projeto”, resume o diretor de Negócios da Nanox.

Também detentora de um corpo técnico especializado no Brasil, a Dixie Toga atua em conjunto com clientes e fornecedores para colocar à disposição do mercado novas tecnologias existentes, visando aumento do shelf life de produtos. Desde que foi integrada ao Grupo Bemis Bemis – maior empresa de embalagens flexíveis dos EUA, com mais de 150 anos de experiência, passou a ter acesso a um centro de pesquisa de embalagem nos EUA.
Atuando nos segmentos de embalagens rígidas, flexíveis, laminadas e rótulos, em situações que exigem a característica de alta barreira de filmes, a Dixie Toga explica que material da embalagem pode variar muito e depende do produto que está sendo embalado, do tempo e da condição de exposição do mesmo no PDV. De qualquer forma são diversas as soluções possíveis, desde a utilização de monocamadas com metalização até a utilização de produtos bi ou trilaminados que combinam a características de diferentes materiais para se aumentar a barreira da embalagem.

“Os desenvolvimentos mais significativos estão nos responsáveis em tornar as embalagens mais sustentá- veis, através da utilização de filmes e materiais de alta tecnologia, que aumentam a barreira da embalagem protegendo o produto final de agentes degradantes (oxigênio e luz). Nos esforçamos na confecção de emba- lagens mais leves. Destacamos, ainda, que a proteção do produto final é importante e uma função fundamental da embalagem, pois seu descarte tem impacto negativo ao meio ambiente”, lembra Ponce.

Estímulo:

Integrante de um grupo industrial que produz embalagens rígidas de plástico para algumas das empresas dos setores de alimentação, bebidas, higiene pessoal e de casa e óleos e lubrificantes, a Logoplaste considera o crescente interesse dos consumidores por alimentos naturais como um aditivo estratégico para o surgimento de novas técnicas, visando proteger os produtos de maior valor nutritivo. Nesse sentido, “a grande novidade é a introdução da nanotecnologia nas resinas de base, permitindo melhorias significativas na performance das embalagens”, destaca Paulo Correia, R&D diretor do Grupo Logoplaste.

De um modo geral, a empresa investe 3% do seu faturamento em inovação, percentual distribuído entre todas as empresas do grupo, em diferentes áreas e segmentos. Muito embora ofereça soluções otimizadas, a Logoplaste reconhece que “o mercado de embalagens com shelf life é limitado, ou como referimos internamente aos produtos ‘sensíveis’ de um target privilegiado”, comenta o diretor afirmando, no entanto, que a empresa busca crescer mais acentuadamente nesse segmento.

Segundo Correia, que concedeu entrevista à Revista Pack diretamente do seu escritório em Portugal, a Logoplaste tem várias soluções já industrializadas. São elas: EBM seis camadas para produtos lácteos enriquecidos para bebês, EBM três camadas para produtos lácteos sensíveis à luz, EBM três camadas para cosméticos, injecção de uma camada, duas e três camadas para PET para produtos sensíveis à luz, CO2 e O2, embalagens em PET mono, duas ou três camadas, para proteção à luz, CO2 e O2. Dentre os principais clientes da Logoplaste, figuram Heinz, Shefa, Danone, Asturiana e Lactalis. “Para todas as embalagens da Heinz desenvolvemos uma solução técnica usada na Europa. Outro caso de pioneirismo que mencionamos é a Shefa com duas camadas para proteção à luz”, exemplica o diretor do Grupo que possui unidades em 18 países.

INFORMAÇÕES
DIXIE TOGA
WWW.DIXIETOGA.COM.BR – (11) 2928- 2249
ALCOA
WWW.ALCOA.COM.BR – 08000159888
LOGOPLASTE DO BRASIL WWW.LOGOPLASTE.COM – (11) 2132-0400
NANOX
WWW.NANOX.COM.BR – (16) 3364-2235